Voz do Vale
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Crônica: Fogueiras que não se apagam

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Atualizada há 11 meses

por: Rodrigo de Souza

Julho vai indo embora aos poucos, carregando consigo o cheiro de milho cozido, o som das quadrilhas e o calor suave das fogueiras que resistiram às noites frias. As festas juninas vão chegando ao fim, mas algo delas sempre fica. Não é só o gosto do curau ou o som da sanfona, é a memória coletiva que se reacende, ano após ano, como um ritual silencioso de pertencimento.

Em tempos de tanta pressa e distração, as festas juninas continuam sendo uma espécie de reencontro. Reencontro com sabores da infância, com os vizinhos, com o bairro e com as raízes. Cada bandeirinha colorida balançando no ar parece nos lembrar que é possível celebrar o simples. Que ainda sabemos rir de uma pescaria improvisada, dançar de mãos dadas, vestir trajes caipiras sem medo do ridículo, porque ali ninguém está se exibindo, está se entregando.

Assis viveu, neste último mês, mais um ciclo de festas. Nas escolas, nos bairros, nas comunidades rurais, na Vila Agro, nas igrejas e até em grandes eventos. E quem observa de perto, como eu gosto de faze, percebe que há muito mais do que entretenimento nesses encontros. Há cultura. Há educação do olhar, do paladar, do afeto. Há transmissão de valores, de histórias, de modos de viver que não cabem nos livros didáticos, mas formam a alma de um povo.

As festas juninas ensinam, ainda que silenciosamente. Elas mostram a importância da coletividade, da organização comunitária, da alegria como expressão legítima de cultura popular. Por isso, quando uma cidade investe em manter viva essa tradição, ela está, na verdade, fazendo política cultural com o coração, mesmo que nem perceba.

E agora que elas terminam, o que nos resta é garantir que esse espírito não se apague com as últimas brasas da fogueira. Que sigamos celebrando nossas origens, valorizando quem prepara cada detalhe, desde o forró até o bolo de fubá. E que, na hora de pensar cultura como política pública, não esqueçamos: festa junina também é patrimônio. E merece lugar de honra no calendário da cidade.

Porque, no fundo, quem preserva as festas juninas está acendendo outra fogueira, “a da identidade cultural”. E essa, felizmente, nunca se apaga.

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*Rodrigo de Souza é publicitário, com especializações em Marketing de Varejo e em Comunicação Eleitoral e Marketing Político. É mestre em Comunicação, Cultura e Arte. Atua como analista de comunicação e eventos da Coopermota, membro do Rotary Club de Assis do Vale, integra o Conselho Municipal de Cultura de Assis e também o Conselho Curador da Fundação Futuro.