Top da Semana: Vitor Kley celebra legado do pai em novo álbum. Ouça “Carta Marcada”
Atualizada há 1 ano
Fonte: Billboard Brasil Vitor Kley revela os segredos do novo álbum à Billboard
Em papo com a Billboard, cantor fala da criação de “As Pequenas Grandes Coisas”
Talvez por estereótipo e com alguma ciência envolvida, associam a cor azul à profundidade e também com a melancolia. O azul do blues. Usam o azul para a personagem Tristeza de “Divertidamente”…
(Risos gerais)
No entanto, apesar de todas as reflexões que o álbum “As Pequenas Grandes Coisas” propõe, não é um trabalho triste. Há uma coesão de canções dançantes, inclusive. Você poderia explicar o uso da cor azul como símbolo do álbum?
Olha que loucura! Alê, eu fico feliz com essa tua percepção porque é uma percepção que eu não tinha parado para pensar. Até falando de “Divertidamente”, é um filme que eu amo.
O azul é a continuação do arco-íris. Então, o roxo é a primeira cor do arco-íris, das sete cores. E depois tem os tons de azul. A sequência do arco-íris é que faz a caminhada da bolha para as pequenas grandes coisas.
A cor começou a ficar muito clara na minha cabeça quando eu me mudei para o interior. Lá eu tenho uma vista do céu azul e, cara, assim, as tantas vezes que eu fiquei namorando aquele céu azul… eu olhava aquilo e falava: “Cara, isso aqui é infinito”
Nesse sentido o azul me chama uma coisa leve e ao mesmo tempo grandiosa. Mas, cara, analisando por esse lado do blues, eu achei muito interessante essa tua leitura, porque eu sou muito apegado a isso. Stevie Ray Vaughan, Chuck Berry. B.B. King, o próprio John Mayer. Em “Segredos” eu quis fazer uma brisa de guitarra no fim, até para puxar um pouco disso, dessa coisa que eu amo. Ali fica um solo de guitarra em reverso junto de um duelo de guitarra com um reverb bem longo. Eu amo esse estilo.
Quais influências musicais as pessoas nem imaginam que fez a tua cabeça durante a criação deste trabalho?
Jorge Drexler e o Uruguai. Nossa, sou muito fã dele. Das coisas mais orquestrais e também das coisas mais pop. Inclusive, a música “Tocarte”, que ele fez com o C. Tangana, que me levou a ouvir o C. Tangana também.
Agora, nos últimos tempos, tenho escutado muito Ca7riel & Paco Amoroso, Trueno. A turma da Argentina.
Eu tenho a impressão que “As Pequenas Grandes Coisas” marcam um pouco o início de mais presença da música latina no meu som.
Além disso, sou apaixonado por música brasileira, eu amo Cartola, por exemplo, uma coisa que as pessoas nem imaginavam, eu amo Jorge Benjor, Tim Maia, Jorge Ben e Gilberto Gil.
Além das referências que eu sempre cito como Fleetwood Mac, The War on Drugs, Natiruts, Armandinho, John Mayer, o que anda fazendo muito a minha cabeca é O Terno. Cara, o Tim Bernardes é foda.
Depois de participar do “Show dos Famosos”, a influência latina pode trazer um Vitor Kley mais dançante?
Nossa senhora, eu acho muito legal. O show dos famosos abriu um leque que eu não imaginava. Os diretores do programa, inclusive, me chamaram no canto para falar: “Vitor, existe muita coisa aí dentro que não está sendo explorada. E, cara, explora isso na tua carreira. Nas músicas “Carta Marcada”, “Tudo de Bom” ou “Moça”, dá para chamar a garota no balanço e para os passinhos. Aprendi no trabalho com a “Bolha” que posso ser denso sem deixar o balanço.
Mesmo com o DNA do cara que toca o violão de aço
Ah, sim. Eu nunca vou largar. Eu toco com violão nylon em “Carta Marcada” e outros instrumentos. Mas cara, realmente eu me identifico muito com o violão com cordas de aço e o público também.
É um álbum com muitos produtores, além da sua estreia produzindo trabalho autoral. Por que essa escolha?
Eu me joguei na produção porque parei de me sabotar, sabe? Eu já assinei a produção da Mariana Nolasco e outras pessoas, mas nunca tinha feito as minhas coisas. E aí de repente vem o Paul Ralphes e diz: “Vitor, essas prévia aqui que tu está me mostrando, cara, isso aqui está pronto. Tem que assinar essa produção. É justo tu assinar. Confia”.
E trabalhar como o Paul, o Giba Moojen, o Marcelo Camelo e Felipe Vassão foi pensando nessa ideia de explorar a diversidade de ideias e sentimentos.
O Camelo ama os arranjos de cordas orquestrais e de sopros. O Vassão é um produtor super livre, que incentiva a criatividade: “Vitor senta no piano e toca tipo pianinho antigo menos afinado. Vamos pegar isso, transformar aquilo”. O Giba é cara super preocupado em manter a minha essência. E o Paul foi o o produtor de mais faixas e diretor junto comigo. O molho do trabalho tem muito deles e por ter sido feito em muitos lugares.
Em “As Pequenas Grandes Coisas” realmente se encontra todas essas vertentes. Apareça na Billboard para uma jam de violões, Vitor. Obrigado pelo papo.
Foi um prazer, Ale. Eu estava muito empolgado para bater esse papo. Acordei cedão e tomei um baita café. Logo apareço para uma jam na Billboard. Eu adoro uma bagunça (risos).
